Educação: Crescimento do País

Condições | Exemplo de Fracasso | Tristeza | Aluguel | Ponte Rio-Niterói | Guarabira

Condições Precárias

Por termos índice escolar abaixo do Rio, a maioria dos nossos conterrâneos, vem para o rio de Janeiro sem nenhuma base escolar (curso técnico) muitos deles mal sabem assinas o seu nome, outros para re.
ceber o seu salário usa o dedão (polegar) isto é uma vergonha para nós. Falta um incentivo das outoridades competentes. As crianças desde cedo acompanham os pais no roçado com uma inchada, na costa outras crianças ficam com os pais tapando buracos nas rodovias, para ganhar um trocado. Pergunto, quando esta criança crescer e vir para o Rio de Janeiro que estrutura ela tem? Que profissão ele tem? Que serviço o espera no Rio de Janeiro? A não ser serviço sem nenhuma qualificação técnica. O jeito é trabalhar dentro da obra (construção civil) e envelhecer dentro das obras, viverem sua velhice como pião de obra. Temos que reverter este quadro negativo.


Exemplo de Fracasso

Conheço um moço que veio da Paraíba sozinha para o Rio de Janeiro, um ano depois mandou buscar sua esposa e seus filhos. Passaram-se os anos e seus filhos casaram. Vieram netos. Chamou atenção para um detalhe, quando ele veio para o Rio de Janeiro, veio para morar numa favela, e, mais tarde seus filhos também fizeram casas (barracos) na favela. Provavelmente seus netos também irão fazer, barracos na favela. E assim cria um circulo familiar, todos morando na favela, com isto as favelas crescem junto deste crescimento a pobreza o acompanha.


Tristeza para Nós

Se não fossemos nós, os nordestinos, na rocinha, nunca que ela teria o título de maior favela da América Latina. Isto não é uma honra para nós. Isto mostra o nível social que somos nos grandes centros urbanos brasileiro. Honra para nós se fossemos o maior numero de proprietário de Copacabana, Ipanema, Leblon, Barra da Tijuca etc. Mas, nesses bairros nobres carioca, só sobra para nós nordestinos, serviços de, mas abaixo níveis trabalhistas. Dando graças a Deus. Como: porteiro, zelador, faxineiro, doméstica babá, pedreiro, servente, pinhão de obra, etc.


(Favela da Rocinha, Rio de Janeiro. Zona Sul da cidade)


Aluguel, o Grande Vilão

Conversei um dia com um nordestino que mora na Rocinha. Ele é pedreiro, ganha por mês uma média de R$ 700,00. Pai de três filhos, que estudam, na escola publica. Ele paga R$ 330,00 de aluguel, de um barraco de dois cômodos, na Rocinha. A esposa é diarista ganha R$ 40,00. trabalha três dias durante a semana. ESSA É A REALIDADE DOS NORDESTINOS NO RIO E SÃO PAULO. No final do mês a pessoa vai vê, que com tantos gastos, ganha menos do que no Norte. (nordeste), repito, é melhor ganhar um salário mínimo no Nordeste do que ganhar dois salários no Sul (sudeste).


Ponte Rio-Niterói

Maior ponte do mundo em concreto armado. Um cartão postal das duas cidades. Mas de 13 km de ponte sobre o mar (Baia de Guanabara) não tenho idéia concreta como seria o Rio de Janeiro hoje sem a ponte, Rio-Niteroi. Também não tenho idéia concreta quantos de nossos conterrâneos nordestinos morreram, na construção da ponte Rio-Niteroi. Vi algumas fotos na época da construção, os funcionários (piões) da construção civil não usavam os equipamentos de seguranças, (PI), vi fotos os funcionários de sandálias de dedo, muitos sem camisa, é lógico se fosse hoje, nada disso aconteceria, hoje a segurança do funcionário em primeiro lugar, (neste item de segurança avançamos bastante). Hoje se um pião trabalhar acima de 3metros, é obrigado usar cinto de segurança (pára-quedista). E outros equipamentos como: capacete, botina, luvas, uniformes, óculos etc.
Para nós nordestinos a construção da ponte Rio-Niteroi, foi o lugar onde, mas, morreu nordestino embora isto não confirma pelos os órgãos competentes. Mas se tem esta história entre muitos de nós nordestinos. Lembro-me bem ainda criança ouvia papai conversar com seus amigos deste terrível acontecimento mortal na construção da ponte.
HISTÓRIA DA VIDA.
Eu trabalhava de camelô em Guarabira, nos anos 80. Conheci um rapaz que queria ouvir falar de tudo menos do Rio de Janeiro. Segundo ele ainda pequenos seu pai veio trabalhar na construção da ponte Rio-Niteroi. Ele tinha trauma. Nunca mas ele viu o seu pai, o que ele lembra da ultima vez viu o pai, foi na despedida, ele correndo atrás de um jipe, e seu pai destro do jipe dando tchau, e mandava beijos para o filho. No dia que o pai ia viajar, falava com a mãe, dizendo mulher é só um ano, quando eu voltar vou trazer muito dinheiro e comprar muitas vacas. Ele cresceu sabendo que seu pai havia morrido na construção da ponte, assim como muitos pais nordestinos. (muitas vezes que somos escravos ainda, não temos uma vida digna financeiramente falando, o que ganhamos é muito pouco, ficamos rendidos com o sistema, se estudar, não temos como conseguir dinheiro). Se trabalhar não tem como estudar. Ou vice e verso. A um dito popular que diz: (não podemos assoviar e chupar cana no mesmo tempo) geralmente nós nordestinos uma pequena % termina o 2º grau (antigo). Uma outra pequena % termina o 1º grau (antigo). Outra pequena % só estuda até a 43ª serie, e outros nem estudam, pois muitos de nossos nordestinos para receber o seu salário não sabe assinar o seu nome, então usa o dedão, como uma assinatura.
O que seria de Niterói e Rio de Janeiro se não fosse à mão de obra não qualificada dos nordestinos, na construção da ponte. Quantos nordestinos vieram na época no pensamento de ficar rico, na construção da ponte e nunca voltou, para sua terra natal, uns morreram, outros ficaram no Rio de Janeiro. Fiquei triste quando um dia quando vi uma entrevista, de um cidadão que dizia que o Rio de Janeiro e São Paulo, são os maiores empregados de nordestinos nas obras (construção civil). Não fiquei triste com o cidadão, mas com a situação de nós nordestinos, ele quis dizer que o que sobra para nós nordestinos é o serviço pesado. A verdade seja dita, ele esta certo, nós migramos para o Rio de Janeiro sem nenhum curso técnico, sem nenhuma faculdade, sem nenhuma formação colegial, então o que vai sobrar mesmo para nós é o serviço sem nenhuma qualificação, que é o serviço pesado, onde só nordestinos é: porteiro, zelador de prédio, serviço de limpeza, domestica, babá, passadeira (engomadeira). Etc.


Guarabira, Uma Pobre Cidade


(Essa é a cidade de Guarabira- PB)

Essa é a cidade de Guarabira, da Paraíba. Fica há 98 km, da capital. João Pessoa.
Uma cidade de 53 mil habitantes, uma cidade simples como qualquer outra cidade do interior nordestino, simples no seu modo de ser, na sua arquitetura, no seu povo, também na sua economia. Guarabira é a maior cidade do brejo paraibano, tendo suas cidades como vizinha: Araçagi, Mari, Pilões, Alagoinha, Cuitegi, Pilõeszinho, Pirpirituba, Certãoziho, Jacaraú, e outras. Fiquei por, mas, de uma hora sentado no monumento do Frei Damião, em Guarabira, olhando de cima para a cidade, como vocês podem vêem na foto.
Fiquei pensando comigo, o que esta cidade tem para seus filhos, falando de emprego. Nesta região não há quase nenhuma indústria, a maioria dos que trabalham na cidade não ganham mais, de um salário mínimo. Isto falo, de Guarabira. E as outras cidades que são bem menores, tanto em população como na economia. Muita dessas cidades depende de Guarabira, como: no comercio, hospital, segurança publica, (policia), etc.
O CRESCIMENTO DA MIGRAÇÃO NORDESTINA. Muitos dos nossos jovens, destas cidades, mal esperam completar 18 anos, para logo deixar sua terra natal, (isto já é a cultura da ilusão de Rio e São Paulo), seus pais, seus irmãos, amigos, muitos das vezes é uma despedida para sempre. Vai para o Rio de Janeiro e São Paulo, e nunca mais volta. Morre o pai, morre a mãe, e ele não volta, porque não quer? Mas porque não tem dinheiro. O que ganha mal no Sul (Sudeste), mal dá para pagar as contas, pior de tudo morando anos no Rio de Janeiro ainda mora na favela. (isto é uma dura realidade).
A terra já não é como antigamente, para plantar, ela está cansada, se planta o milho o feijão, o cará, não dá como antigamente. Tudo é muito fraco, com o tempo os homens destruíram as matas, com isso os rios, lagoas, açudes, e seus afluentes, chega certo tempo do ano que ficam secos. É o caso do rio paraíba, no estado da Paraíba. Mataram a mata auxiliar do rio e ele simplesmente secou.
Um pai de família, se enquadrando numa situação dessa. Ele chega à conclusão que a única solução é ir para o Rio de Janeiro ou São Paulo. Deixando sua esposa e filhos no Nordeste. Ele vem para uma aventura, mas o sofrimento é tão grande no Nordeste que esta aventura se torna menor, e lá vem o pobre sofredor para o Sul (sudeste) em busca de uma nova vida, o melhor dizendo uma nova decepção, ele chega, por não ter nenhuma escolaridade, o seu primeiro emprego no Sul, é dentro de uma obra.
O triste de muitas dessas historias, que acontece com a migração Nordestina, é que muitos homens deixam suas esposas e filhos lá Nordeste, e chegando aqui, no Sul (sudeste) logo arruma uma mulher, e constrói uma outra família, e assim esquecendo aquela que ficou no Nordeste, é uma realidade que sempre acontece.