Rio
de Janeiro: O Sonho de Consumo de Muitos Nordestinos
Quando eu era adolescente, isto nos anos 80, já morando em Guarabira.
Via muitos nordestinos chegarem de viagem, do Rio e São Paulo,
trazendo dinheiro, radio gravador duplo cassete. Na época isto
era um sucesso tremendo. Eles chegavam com roupas novas, da moda, tinha
um linguaja diferente, um pouco puxado, com: “poxa vida, caramba
meu” isto era novo para mim. Na minha idéia. Eles viam
de um lugar muito bom, (o que na verdade o Rio e São Paulo são
ótimos). Veja como a coisa começa a funcionar, dentro
do coração de cada adolescente, nordestino.

(Era a visão que eu tinha
do roçado no Cruzeiro quando o ônibus saia com destino
para o Rio de Janeiro.)
No
ano de 88, papai fez um roçado no cruzeiro, onde hoje fica o
monumento de Frei Damião, em Guarabira, por ser muito alto, eu
ficava olhando lá de cima do morro (roçado) todos os dias
quando o ônibus da itapemirin saia de Guarabira com destino ao
Rio de Janeiro e São Paulo. Lá de cima eu ficava pensando
quando um dia eu iria viajar para o Rio de Janeiro.
Era uma segunda feira, estava na feira da cidade de Belém, esperando
o ônibus, a parada do ônibus era enfrente a uma loja de
eletrodoméstico. Foi quando entrou um senhor na loja para comprar,
uma geladeira, ele pagou a vista, ele tinha vindo do Rio, segundo ele
era um presente para sua mãe. Nessa época lá em
casa não tinha geladeira.
No ano de 89, eu me preparava para casar, mas não tinha nada,
nem casa, nem moveis, nada. Trabalhava o que ganhava era muito pouco.
Nesta altura minha irmã já morava no Rio de Janeiro. No
final do ano de 89, eu já estava certo que iria viajar para o
Rio de Janeiro, isto na minha vida era uma turbulência. Mas afinal
de conta eu estava marcado para este destino, sou Nordestino esqueceu?
Foi quando minha irmã me fez o convite, e não recusei,
logo aceitei.
Meu amigo é, mas o menos assim, se cria logo na adolescência
o desejo, melhor dizendo a ilusão de viajar para o Sudeste, primeiro
começamos achar que nossa região é ruim, que não
presta para nada, e ficamos só achando que lá no sul é
melhor de se viver, e trabalhar, e ganhar muito dinheiro.começamos
achar que os amigos que foram para o Rio de Janeiro, estão muito
bem, que eles tem um bom emprego, e ganha dinheiro.
Uma outra ilusão é a televisão, que mostra uma
imagem, muito bonita das regiões do Sul e Sudeste, hoje passa
uma novela chamada “paraíso tropical” em que tem
como capa principal o bairro nobre do Rio de Janeiro, que Copacabana.
Além dessas imagens, o Rio é o centro nacional da musica,
do do futebol, onde tem o time do Flamengo sua sede na Gávea,
bairro nobre da cidade, também não pode esquecer do Maracanã,
como o maior estádio do mundo, sem esquecer do Cristo Redentor,
o bondinho do Pão de Açúcar, suas praias, a Ponte
Rio Niterói. Tudo isto e outras coisas a mais, são responsáveis
por esta forte ilusão para nós nordestinos. Se eu pudesse
sai pelo nordeste pedindo a cada um nordestino para não se aventurar,
o Sul já deu o que tinha de dá, hoje só tem a rebarba
para dividir com muitos que vivem em tanto no Rio com em São
Paulo, desempregado, sem condição de voltar para sua terra
natal.

(Eu trabalhando de carpinteiro
de forma.)
O
de amarelo sou eu, com o meu amigo Alumir, trabalhando em Guarabira,
na construção da igreja, Assembléia de Deus. Esta
foto foi tirada no ano de 1989. Esta obra foi um estágio para
mim. Quando eu vim para o Rio de Janeiro, eu vim na intenção
de trabalhar como estagiário da Caixa Econômica Federal,
mas deu tudo errado, não tive outra escolha, tive que cair dentro
da obra. Como não estudei, não tinha outra escolha, sem
nenhuma preparação educacional, sem nenhum curso técnico,
fui obrigado trabalhar na profissão que eu nunca havia pensado
trabalhar no Rio de Janeiro. Mas não posso reclamar, nem murmurar,
pois existem pessoas que tem uma vida pior do que a minha nem por isto,
eles estão se maldizendo. Temos que dá graças a
Deus por tudo. Obrigado Deus.